domingo, 29 de novembro de 2015

Equilibrando trabalho e vida pessoal

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Perfil Corporativo

Paródia: Perfil Corporativo
Qualquer semelhança é mera coincidência?


A gente não sabemos fazer slide decente
A gente não sabemos fazer planilha coerente
A gente não sabemos trazer pra valor presente
Tem cliente gritando que nóis é incompetente

Perfil
A gente temos perfil

A gente vende e não consegue entregar
A gente entrega e não consegue instalar
A gente instala e não consegue ligar
A gente dá manutenção e não consegue cobrar

Perfil
A gente temos perfil

A gente põe terno e começa a suar
A gente tem carro e não consegue chegar
A gente tem fome e não consegue almoçar
A gente apresenta sem ter nada para falar

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Só os paranoicos sobrevivem

Ele e seu colega trabalharam juntos na apresentação para a vice-presidência. O arquivo já estava noventa por cento pronto, portanto ele estava tranquilo. Seu colega, porém, tinha receios. E perguntou: - você tem certeza de que a apresentação ficará pronta em tempo? Ele respondeu calmamente: - claro, tudo sob controle. Seu colega insistiu: - você sabe o grau de exposição executiva que esta apresentação nos trará, nada pode dar errado. Ele repetiu: - sim, está tudo sob controle. Contudo, o colega ainda não estava satisfeito: - eu gostaria de ver o arquivo final na próxima hora, por favor me envie. Ele então retrucou: - os poucos dados que estão faltando não ficarão prontos na próxima hora, você terá que aguardar. O colega falou alto: - a apresentação é amanhã, você já deveria ter tudo pronto! Ele também, agora irritado, elevou a voz: - está tudo pronto, caramba, só faltam poucos dados. Foi quando seu colega perguntou: - você está nervoso? Ele explicou: - eu não estava, mas você acabou me deixando nervoso sim. O colega, surpreendentemente, disse: - eu não estou nervoso e você deveria se acalmar, senão você me deixa nervoso. Ele não entendia mais nada. Então o colega arrematou a conversa: - eu sou paranoico, você também deveria ser, porque no mundo corporativo só os paranoicos sobrevivem. Ele ficou pensando por um instante. Paranoia é uma disfunção psíquica. E sobreviver, em seu entendimento, era bem menos do que viver. Deixou para lá, não respondeu mais nada. Optou por continuar vivendo. Tranquilamente.

domingo, 8 de novembro de 2015

Relatório para hoje


terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Despertar do Engenheiro

Música: O Despertar do Engenheiro
Uma paródia sobre carreira



parece que a firma
vai cortar despesas
lembra da faculdade
muitos sonhos nascem
no cabaço que tem ambição
faz estágio, vira efetivo

engenheiro comemora
compra terno e sapatos
mas com o tempo o seu sonho
vai morrendo, vai morrendo...

essa carreira é complicada
a energia vai sumindo
tá ficando desanimado
a cada dia mais serviço

o feedback vem, o aumento não
mas o processo tem defeito

quisesse que na sua pós
não tivesse tomado pau
hoje seria diferente
seu salário aumentaria
teria uma sala
mas isso é besteira...

não aguento, em todo canto
tem tormento, mentira e falsidade
eu não aguento, o meu chefe me aborrece
eu não aguento, o plano agora é diferente
vida simples, ter um sítio
plantar uma horta, andar no mato
nunca mais quero sentir
depressão!

pelo amor...

made-in-China é crueldade
promoção é mais problema
ter propriedade é ter miragem
o sucesso tem um preço
mas o que o sucesso
significa?

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Super-herói

Ele estava se sentindo o máximo. A barba estava comprida e ele raspou apenas o bigode, com todo o cuidado. Fez isso para ficar parecido com o Wolverine, interpretado pelo ator Hugh Jackman nos filmes da série X-Men. Sua forma física até que enganava um pouco, devido à assiduidade na academia. Já pensou? As pessoas olhando para ele e pensando: - lá vai o Wolverine. Que show! Mas cabelos brancos o Wolverine não tinha. Ao passar na farmácia, procurou aquele xampu tonalizante famoso que atua nos cabelos gradualmente. Leu na caixinha que apenas os fios brancos eram escurecidos, dando um toque de naturalidade. Levou para casa, foi ao banheiro e fez a aplicação. Foi uma zona, pintou os cabelos, a testa, as orelhas, as costas, a parede, o chão e manchou também a toalha. Ao sair do banho, viu no espelho que seu cabelo estava preto como piche, quase azul. No dia seguinte, ao se levantar para trabalhar, raspou a barba toda. Não teve coragem de ir na reunião com o VP com cara de Wolverine. Ao chegar na empresa, uma colega logo gritou: - você pintou os cabelos! As mulheres são observadoras e algumas são também francas. - Pois é, você viu? O que achou? Ela emendou sem dó: - grisalho era bom, do jeito que está parece uma peruquinha. Daquele dia em diante, ficou conhecido no trabalho como Peruquinha.

Trocando os cachorros


Alergia


Só naquele dia ele tinha três powerpoints para fazer. Mas estava com uma coceira tão grande que não conseguia se concentrar. Bem naquelas partes, na bolsa escrotal. Insuportável que estava, marcou com a dermatologista no mesmo dia e foi. Ela já era uma senhorinha. Fez algumas perguntas iniciais e pegou a lupa para examinar com cuidado as erupções na pele. Justo ali, na intimidade. Era constrangedor. Ainda assim, após observação cuidadosa, ela atestou o problema. Alergia! Tome este remédio sempre que a urticária aparecer. Pensativo, ele voltou para casa. Nunca teve alergia a nada, qual seria a causa? Foi então que seu smartphone vibrou. Era um SMS do trabalho cobrando um dos powerpoints que ainda estavam por terminar. Imediatamente sentiu enorme vontade de se coçar. Realmente emblemático. Tanto trabalho a fazer e ele coçando o saco. Foi então que compreendeu. O que ele tinha era alergia a powerpoint.

Business excellence


Empolgação

Estavam todos reunidos nos Estados Unidos. Eram mais ou menos trezentas pessoas vindas do mundo inteiro. Ele estava na platéia, totalmente cansado. As quatro horas de diferença no fuso horário atrapalharam seu sono. Mas o principal era o estresse. Ele foi convidado para a convenção de última hora. Não havia um objetivo, um porquê. Mas a empresa pagou a passagem, o hotel e “recomendou” que ele fosse. Cumprindo seu papel, lá estava ele esperando pela apresentação. Enquanto isso, o smartphone não parava de vibrar. Infinitos emails chegando, diversos conflitos, tantos problemas para resolver. Só críticas e mais críticas ao seu trabalho. Uma zona. Embora perdido nestes pensamentos, aplaudiu timidamente quando o VP subiu ao palco. E começou o besteirol americano. “Uhú! Yeah! Esta é a melhor época da nossa empresa! Fantástico! Há muito trabalho a fazer, cada um de nós terá que esticar a corda. Mas venceremos! Confio em vocês! Nesta sala temos as cabeças mais brilhantes do mercado!”. E sua cabeça apenas doía. Ao terminar, passou no Walmart para comprar remédio. Aproveitou e levou vários potes, pois eram muito mais baratos do que no Brasil. Uhú! Yeah!

Processos de vendas


Trabalhar no banheiro

Quem trabalha de casa faz muitas reuniões pelo telefone. Aquele dia, porém, era diferente. Por má organização de sua parte, ele havia exagerado na agenda. Das oito às dezoito, ele tinha uma séria ininterrupta de reuniões, uma colada na outra. Não sobrou nem um minuto para comer ou ir ao banheiro. Exatamente às treze horas uma nova sessão online estava começando. Mas ele não teve como segurar. Desconectou o notebook da tomada e o levou consigo ao banheiro. Baixou as calças e se sentou na privada, ao mesmo tempo em que se conectava na reunião. - Boa tarde a todos. Foi tudo o que ele disse, logo depois colocou seu microfone em mudo. Ele acompanhava a apresentação sendo feita por um colega de outro país, seu computador estava apoiado por sobre a pia, o headset em seus ouvidos. Como ele não estava bem da barriga, a barulheira foi inevitável. Alguém interrompeu o call, dando uma risadinha. -Vocês podem por favor colocar seus microfones no mudo? Meu Deus! Será que alguém o estava escutando? Olhou rapidamente para o controle do seu software e, que alívio, seu microfone continuava desligado. O ruído estava vindo de outra pessoa. Eram, como sempre, alguns latidos de cachorro ao fundo.

Retenção de talentos


Almoçando sozinho

Ele almoçou sozinho e observou. Os trabalhadores dos escritórios se vestiam de forma parecida. Falavam parecido. Discutiam temas parecidos. Competiam pela diferença, mas loucamente se mostravam iguais. Ele pagou a conta. Foi para mais uma reunião que parecia importante. Todos pareceram satisfeitos, ele foi bem sucedido. E pareceu sorrir enquanto por dentro chorava. E pareceu vencer enquanto se perdia. Como os demais, ele também parecia. Mas não era.

Jubileu

Making off do vídeo em homenagem ao jubileu de 25 anos do chefe.


Videoconferência

Na noite anterior, ele comprou um ventilador de liquidação. O calor de São Paulo nos últimos tempos tem sido quase que insuportável, clima de deserto. Trabalhar em casa tem suas vantagens. Ele não tinha ar condicionado, às vezes chegava a invejar o do escritório. Por outro lado, podia trabalhar de bermuda e sem camisa. E o ventilador, apesar de não ser nenhum espetáculo, quebrava o galho. Certo dia, a diretoria resolver fazer uma videoconferência. Ele poderia entrar a partir de casa mesmo. Bastava baixar o plug-in pela internet e usar a câmera do próprio notebook. Colocou uma camisa e se ajeitou na cadeira, que na verdade era um pufe. Como havia se mudado há pouco tempo, o quarto que serviria de escritório não estava pronto. Já fazia três meses que a porta estava para chegar, mas nunca chegava. Também não tinha os móveis ainda. Por isso, todos os dias ele ligava o computador no quarto de dormir mesmo, na beira da cama de casal. Sentava-se no pufe que colocava logo em frente. Era uma bancada improvisada. Ao começar a videoconferência, alguém perguntou de forma engraçadinha se ele ainda estava de pijamas. Seria por causa da cor cinza da camisa? Parecia tão apropriada. A reunião seguiu e chegou sua vez de falar, tirou o microfone do mudo e mandou ver. Falou olhando para a câmera, de forma imponente. No mesmo instante, sua filha pequena deu um berro no apartamento, vai saber qual o motivo. O cachorro começou a latir, o que atiçou os cachorros de toda a vizinhança. Foi interrompido: – não estamos conseguindo te ouvir. Ele pediu perdão e começou a explicar sobre os cachorros, jogou a culpa nos vizinhos. – Na verdade estamos escutando um ruído constante de fundo, como se alguém estivesse soprando no microfone. Era o ventilador.

Visita do presidente


Polo aquático

Ele morava em frente ao Sesi da Vila Leopoldina. Era de manhãzinha, o termômetro marcava catorze graus, estava frio. Da janela do quarto era possível ver o treino da equipe de pólo aquático. Piscina descoberta, não aquecida. Deve ser um sofrimento pular na água com aquela temperatura. Bola para lá, bola para cá, nadar, nadar e nadar. Dava para ver o esforço que eles faziam, dureza mesmo. No seu quarto, ele estava de blusa quentinha em frente ao computador após tomar o café da manhã às nove. Mais um dia começando. Trabalhava em uma grande empresa, esquema de home office, conexão banda larga e reuniões pelo telefone. Era o maior conforto. Além disso, ganhava um bom salário e era reconhecido. Tudo o que um trabalhador poderia querer. Mas ai que vontade de ser jogador de pólo aquático.

Visita de um cliente


Semântica

Assim como acontece em todo o mundo corporativo, naquela grande empresa havia uma infinidade de executivos de egos inflados, difíceis mesmo de se aturar. Quando em reunião com tais executivos, ele não raro ouvia de seu próprio chefe: - He is here to support you. A tradução desta frase é: ele está aqui para ajudá-los, apoiá-los. Mas o termo em inglês não poderia ser mais apropriado. Toda vez que ouvia seu chefe dizer isso, imediatamente pensava: - Deus, dai-me paciência para suportá-los.

Você estará lá?

Ele ficou responsável por organizar a reunião com o VP global. Os dois diretores executivos pediram um call para alinhamento prévio. O primeiro diretor queria saber de tudo. – O que você me conta? – Quem mais vai participar? – Qual é o objetivo? – Qual é a agenda? – Quais são as expectativas? – Quais são os assuntos mais quentes? – Quais são as oportunidades para nós? – Quais são os riscos da conversa? – Como você recomenda que iniciemos a discussão? – Quais os planos de curto, médio e longo prazo? – Os relatórios estão atualizados? – Temos sala reservada? – Temos datashow disponível? – Quem tomará as notas? Enquanto isso, o segundo diretor se mantinha quieto na linha. Parecia ter se conectado do celular enquanto dirigia, havia um ruido de tráfego ao fundo. Quando se esgotaram os questionamentos do primeiro diretor, o segundo fez uma única pergunta. – Você estará na reunião com a gente? Sim, esta foi a resposta. E era tudo o que o segundo diretor queria saber.